quarta-feira , 13 novembro 2019

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Bye bye, Brasil. A última ficha caiu

Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
Explica que tá tudo okay

O reacionarismo e perda de protagonismo internacional fazem com que o futuro do Brasil pareça melhor no passado.
A dinâmica socioeconômica funciona de forma diferenciada, apesar do desejo de que ela ocorra de modo a sempre propiciar ganhos para todos, entretanto, os frutos de sua evolução são distribuídos de maneira desigual, incluso os ganhos quanto às eventuais perdas. Em períodos de prosperidade, os benefícios vão, invariavelmente para alguns poucos. Quando o sistema entra em colapso, a tendência é de repartição dos prejuízos entre a maioria para que a minoria continue perdendo ou sofra perdas menores.
O ano de 2018 foi de ganhos concentrados no mercado financeiro e fortalecimento deste para lucros mais robustos no futuro. Robustez a ser assegurada por privatizações e desnacionalizações que motivaram o golpe de 2016 e que fazem parte da agenda dos novos representantes do Legislativo e do Executivo empossados em janeiro de 2019.
A agenda legitimada pelo voto popular, ainda que este tenha sido conquistado sem o necessário debate aberto sobre suas causas e consequências colocou a prova o  discurso da privatização que continua sendo sustentado pelo argumento desprovido de evidências de que a desestatização – por si só e de maneira exclusiva – gerará crescimento e emprego.
Na prosperidade, a maioria dos benefícios vai para poucos. Na crise, os prejuízos são repartidos entre a maioria para que a minoria continue ganhando ou sofra perdas menores.
Com as privatizações várias jóias serão entregues em áreas estratégicas, tais como: energia, agricultura, saúde e sistema bancário, mas vale pensar sobre seus eventuais benefícios. O que o capital estrangeiro pode trazer para acrescentar ao que o Brasil hoje domina de tecnologia?
Pouco na área de energia. Seja ela derivada de exploração de gás e petróleo ou da geração de hidroeletricidade e de fontes alternativas como biocombustíveis.
Pouco na produção de conhecimentos que viabilizam ganhos continuados de produtividade na produção de alimentos e de outros derivados dessa atividade, praticada tanto pelo agronegócio quanto pela agricultura familiar.
Pouco na produção de medicamentos e de serviços de saúde que dão sustentação ao SUS.
Pouco na prestação de serviços bancários diante da competência do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Pouco, porque conhecimentos tecnológicos e gerenciais  incorporados em empresas nacionais como Embraer, Embrapa, Fiocruz, Petrobras e as atuantes no sistema bancário vêm há muito interagindo e construindo parcerias com companhias mundo afora. Interação e cooperação que as capacitam para um equilibrado diálogo com o que se produz na fronteira tecnológica mundial.
Retrocessos na área econômica vêm acompanhados por reacionarismo no campo social. Reação a regras para a relação capital-trabalho construídas desde a primeira metade do século passado e que foram desmontadas violentamente.
Retrocessos e reacionarismo que se refletem também na forma como o país se coloca na geopolítica global quer seja pela subserviência aos interesses dos EUA, ou pelo que essa sujeição provoca de perdas de protagonismo do Brasil em áreas imprescindíveis tais como:  clima, biodiversidade, segurança alimentar, justiça social e construção de alternativas à ordem mundial estabelecida no pós-segunda guerra.
Edmir Rosetti Filho
Colunista político

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